Como Lucrei R$ 1.100 com Ações do Banco do Brasil em uma Operação que Durou Menos de 23 Horas
Uma operação de swing trade, um canal de regressão linear e uma oportunidade escondida na volatilidade.
Ganhar dinheiro no mercado de ações não significa necessariamente descobrir qual ação vai subir amanhã.
Às vezes, a oportunidade está justamente no movimento que parece um problema: a volatilidade.
O preço de uma ação não caminha em linha reta. Ele sobe, desce, acelera, recua, testa regiões de preço e, muitas vezes, volta para níveis que havia deixado para trás.
Para quem olha apenas para a cotação, tudo isso pode parecer uma sucessão de movimentos aleatórios.
Para quem utiliza estatística, entretanto, a história pode ser um pouco diferente.
É possível procurar padrões de comportamento, medir desvios e estabelecer regiões de preço que ajudem a tomar decisões.
Foi exatamente isso que aconteceu em uma operação que fiz com ações do Banco do Brasil.
Mas, antes de contar quanto ganhei e como a operação aconteceu, vale entender alguns conceitos fundamentais.
Risco e retorno: os dois lados da mesma moeda
No mercado financeiro, existe uma relação que não pode ser ignorada: risco e retorno.
Quanto maior o retorno potencial de uma operação, normalmente maior será também a exposição ao risco. Isso não significa que todo investimento de alto risco produzirá alto retorno. Significa apenas que não existe retorno elevado sem que alguma forma de risco esteja presente.
O investidor que compra uma ação pode ganhar se ela se valorizar. Mas também pode perder se o preço cair.
O operador precisa, portanto, pensar não apenas em quanto pode ganhar, mas principalmente em quanto pode perder caso esteja errado.
É aquela em que o possível ganho, o risco assumido e o tamanho da posição fazem sentido em conjunto.
O que é uma operação de swing trade?
O swing trade é uma modalidade de operação em que o investidor procura aproveitar movimentos de preço que podem durar mais do que um pregão, mantendo a posição por alguns dias ou semanas, dependendo da estratégia.
Ele está no meio do caminho entre o chamado day trade, em que a posição é encerrada no mesmo dia, e o investimento de longo prazo, em que uma ação pode permanecer na carteira durante meses ou anos.
Mas existe uma coisa importante: o prazo da operação não determina sozinho o risco.
Uma operação que dura três meses pode ser muito menos arriscada do que uma operação que dura dez minutos. Tudo depende da posição, da volatilidade do ativo, do stop, da estratégia e, principalmente, do tamanho da mão.
E onde entra a alavancagem?
Alavancagem é a utilização de uma exposição financeira maior do que o capital efetivamente desembolsado.
Ela pode aumentar o potencial de ganho, mas também aumenta o potencial de perda.
Um exemplo simples ajuda a entender.
Imagine que um operador tenha R$ 10 mil e consiga assumir uma exposição equivalente a R$ 20 mil. Se o ativo subir 5%, o ganho sobre a exposição será de R$ 1.000. Mas, se cair 5%, a perda também será de R$ 1.000.
Sobre os R$ 10 mil de capital, isso representa uma oscilação de 10%.
A alavancagem, portanto, não cria uma vantagem matemática por si só. Ela simplesmente aumenta a exposição.
E é justamente por isso que deve ser tratada com cuidado.
Procurando ordem dentro da volatilidade
Agora chegamos ao ponto central desta história.
Se os preços oscilam, será que podemos medir essas oscilações?
A resposta é sim.
Uma das ferramentas estatísticas que pode ser utilizada para isso é o canal de regressão linear.
O que é um canal de regressão linear?
Imagine uma série de preços representada em um gráfico.
Em vez de tentar desenhar uma linha simplesmente acompanhando visualmente os preços, a regressão linear utiliza um método estatístico para encontrar uma reta que represente, da melhor maneira possível, a tendência central dos dados analisados.
A partir dessa linha central, podemos construir limites acima e abaixo dela, formando um canal de regressão.
O objetivo não é prever o futuro com precisão.
A ideia é diferente: estabelecer uma referência estatística para avaliar onde o preço está em relação ao comportamento observado na série analisada.
Quando o preço se aproxima de uma região extrema do canal, isso pode chamar a atenção do operador. Dependendo da estratégia, do contexto e de outros critérios, pode surgir uma oportunidade de operação.
Foi essa ferramenta que utilizei na operação que vou contar agora.
Eu não estava tentando adivinhar se o Banco do Brasil subiria ou cairia.
Estava procurando uma oportunidade produzida pela própria volatilidade do ativo.
Volatilidade não precisa ser sua inimiga
Para muitos investidores, volatilidade é sinônimo de perigo.
E ela realmente pode aumentar o risco.
Mas existe outro lado.
Sem variação de preços, praticamente não haveria oportunidade para quem procura ganhar com movimentos de curto e médio prazo.
Se uma ação permanecesse eternamente parada em R$ 20, não haveria muito o que fazer com ela além de esperar.
É a oscilação entre preços que cria oportunidades para diferentes estratégias.
O problema, portanto, não é simplesmente a volatilidade.
O problema é não compreender a volatilidade à qual estamos nos expondo.
E então aconteceu a operação
No dia 8, identifiquei no Banco do Brasil uma situação que, segundo os critérios do canal de regressão linear que utilizo, apresentava uma oportunidade de operação.
Vendi 1.000 ações de BBAS3 a R$ 23,19.
Como se tratava de uma operação vendida, meu objetivo era que o preço caísse. Se isso acontecesse, eu poderia recomprar as ações por um preço inferior ao preço pelo qual havia vendido.
Foi exatamente o que aconteceu.
No dia seguinte, 9, recomprei as 1.000 ações por R$ 22,09.
A operação durou menos de 23 horas.
O resultado bruto foi de aproximadamente R$ 1.100, antes dos custos operacionais e eventuais impostos.
É importante deixar claro: esse resultado não significa que o canal de regressão acertará todas as vezes. Nenhuma ferramenta estatística faz isso.
O que a ferramenta oferece é uma maneira objetiva de analisar o comportamento dos preços e procurar situações em que a relação entre risco e possível retorno seja interessante.
O mercado continua sendo incerto. A próxima operação pode dar errado.
E é justamente por isso que estatística, probabilidade, gerenciamento de risco e tamanho da posição são tão importantes.
Uma operação não é uma fórmula mágica
Talvez essa seja a principal lição dessa história.
Eu não ganhei R$ 1.100 porque descobri uma fórmula capaz de prever o futuro.
Ganhei porque uma determinada configuração apareceu, eu tinha uma ferramenta para identificá-la e o movimento posterior do preço ocorreu na direção esperada.
É uma diferença importante.
O objetivo de estudar o mercado não deveria ser encontrar uma ferramenta que nunca erre. Isso não existe.
O objetivo deveria ser encontrar maneiras de tomar decisões melhores diante da incerteza.
Foi essa busca que me levou a estudar de maneira mais profunda a relação entre estatística, probabilidade e volatilidade.
Quer conhecer outras ferramentas?
O canal de regressão linear é apenas uma das ferramentas que podem ser utilizadas para estudar o comportamento dos preços.
No livro “Use a Volatilidade para Lucrar — Estatística e Probabilidade Aplicadas ao Mercado de Ações”, apresento outras ferramentas e conceitos que podem ajudar o operador a enxergar o mercado sob uma perspectiva quantitativa.
A proposta não é ensinar uma fórmula para ficar rico nem oferecer uma promessa de ganhos.
É mostrar como estatística e probabilidade podem ser utilizadas para transformar a volatilidade, que muitas vezes assusta o investidor, em uma variável que pode ser estudada e incorporada ao processo de decisão.
Afinal, o mercado continuará sendo um oceano de incerteza. A questão é se vamos entrar nele sem instrumentos ou se vamos levar uma bússola.
Use a Volatilidade para Lucrar
```Estatística e Probabilidade Aplicadas ao Mercado de Ações
Conheça o livro e descubra outras ferramentas para estudar o comportamento dos preços.
QUERO CONHECER O LIVRO ```Importante: este artigo apresenta uma experiência pessoal e tem finalidade exclusivamente educacional. O resultado de uma operação passada não garante resultados futuros. Operações com ações envolvem riscos, e estratégias baseadas em estatística ou análise técnica podem produzir perdas. Antes de operar, considere os custos, a tributação, a liquidez, a volatilidade e, principalmente, o capital que está disposto a colocar em risco.