quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Não é determinante, mas pode ter tudo a ver

Por Marcos Rodrigues Pinto, professor doutor, MBA em Finanças e Investimentos

O Fator que Ignoramos no Sucesso Financeiro

Existem muitos fatores que podem impactar positiva ou negativamente a vida financeira de uma pessoa. E, por mais que a maioria das pessoas goste da ideia de que têm controle sobre suas vidas, a verdade é que estamos o tempo todo ignorando as probabilidades.

Para ficar mais fácil de entender meu ponto de vista enquanto converso com você que, por acaso, se deparou com a minha publicação, vamos usar o Brasil como campo de estudo.

No Brasil atual, cerca de 85% das famílias têm renda igual ou inferior a 5 mil reais. A chance de nascer em uma dessas famílias é, então, de quase 9 em cada 10. Nascer em uma família com orçamento apertado já é um fator de desvantagem por questões como acesso à saúde, à alimentação, à moradia e à educação de boa qualidade.

Nascer em uma periferia pobre diminui consideravelmente as chances de uma pessoa prosperar financeiramente porque sua rede de contatos é limitadíssima em oportunidades, e mesmo os que se destacam terão dificuldade em acessar algum benefício dessa rede, porque ela tem muito pouco a oferecer. Some-se isso ao risco diuturno de violência, o que produz medo e atrapalha diversas ações. Além disso, há a normalização de certos comportamentos e modos de vida que nada agregam à formação de uma pessoa.

Sei que muitos dos que lerão esta publicação irão se lembrar de nomes de uns e outros que saíram de periferias pobres e alcançaram fama e riqueza. O problema está aí, no uns e outros. Usar exceções como exemplo é a forma mais idiota de argumentar. Porque o mérito que esses uns e outros tiveram, na maioria das vezes, foi apenas a coragem de testar e se arriscar a cair em uma situação pior do que a que estavam.

Costumamos ver essas exceções e aplaudi-las, acalentando a nossa ilusão de que qualquer um pode conseguir o mesmo feito. Mas eu afirmo a você: isso é apenas uma ilusão. Não o fato de ser possível. Ser possível não é uma ilusão porque alguém conseguiu. No entanto, acreditar que qualquer um consegue é ilusão.

Porque só vemos os que chegaram ao topo. Os milhões que ficaram pelo caminho por eventos sobre os quais não temos a menor ingerência jamais ganharão os holofotes. Como plantas que germinaram, nós os observamos a olho nu. Das sementes que apodreceram embaixo da terra, jamais saberemos.

Muitas das pessoas que ficaram pelo caminho tiveram a mesma ousadia de arriscar seu destino por um futuro melhor. Pagaram o preço mais alto, porque abdicaram de muitas coisas e não receberam nenhum troféu.

Para que uma pessoa saia da base e atinja o topo, são necessários tantos eventos encadeados, todos funcionando de um modo específico, que é impossível ignorar o fator sorte, premiando o esforço, a abdicação e a perseverança. E não estou dizendo que essas pessoas tiveram apenas sorte. Estou dizendo que, além de tudo, elas precisaram de muita sorte.

Um jogador de futebol que abriu mão da educação formal para se dedicar plenamente ao esporte poderia ter se lesionado irremediavelmente antes dos 20 anos, o que teria um impacto terrível em sua carreira e o deixaria em maior desvantagem em relação aos outros, porque somente depois dos 20 anos começaria a procurar outra carreira para se dedicar.

Você conhece aquele jogador talentoso, famoso, milionário. Mas não conhece aquele outro, tão talentoso quanto, que foi vítima de um assalto à mão armada, foi ferido no assalto e não pôde mais jogar futebol. Você conhece aquele empresário de sucesso, famoso, milionário, mas não conhece o outro que entrou no mesmo ramo e foi sabotado diversas vezes até perder tudo.

Vemos os que estão no pódio e deixamos os milhões que tentaram caírem no esquecimento, como se nunca tivessem existido.

E quantos obtiveram sucesso à custa de uma ideia roubada de outra pessoa? Quantos não subiram rápido subtraindo o patrimônio de alguém de quem tinham a confiança? Quantos não compraram sua aprovação em seleções disputadíssimas?

Ralos Demais, Ralos Grandes

Outro fator que dificulta e que pode até determinar o fracasso financeiro é a quantidade de ralos, e o tamanho deles, que uma pessoa tem na vida. Podemos comparar a capacidade de produzir de uma pessoa com uma torneira. Se ela tem uma única fonte de renda, então ela tem uma única torneira.

Até aí, tudo bem. O problema está nos ralos. Quantos ralos você acha que a sua torneira suporta? Se o ralo consome a uma taxa maior do que a taxa de saída da mangueira, temos um problema muito sério.

Se a torneira parar por um instante, não tem nenhuma água acumulada. Será o caos. Não tem água para regar nenhuma planta, nem para a higiene, nem para beber.

E há situações ainda piores. Há pessoas que arranjam mais de um ralo embaixo da sua torneira. Essa pessoa não terá a menor chance de evoluir financeiramente, a menos de um golpe de muita sorte, tal como ganhar na loteria, o que ainda nem pode resolver o problema, dependendo do tamanho desses ralos.

Em uma situação em que você pode fechar o ralo e acumular água, há mais chances de você poder plantar algo, para depois ceifar. Se nenhuma água se acumula, não tem como plantar nada, porque não germinará, muito menos crescerá.

Sendo Curto e Grosso, Talvez Até Mais Grosso

Em uma família onde o jovem não precisa arcar com despesas, é bem treinado pelos pais para produzir cedo e orientado para o crescimento, as chances de esse jovem ascender financeiramente, em termos patrimoniais e de renda, são muito maiores do que em uma família em que ele, mal comece a receber seu dinheiro, precise contribuir para o sustento do lar.

Se um jovem começa a ter uma renda, digamos, aos 20 anos, e fica na casa dos pais até os 25, orientado pelos pais a investir o seu dinheiro e administrar a sua renda de forma racional, ele terá um patrimônio inicial, aos 25 anos, maior que o de outro jovem que tenha que arcar com as despesas na casa de seus pais, mesmo obtendo a mesma renda.

A diferença cresce quando a família já tem um patrimônio consolidado, não apenas uma renda que lhes proporciona conforto financeiro, mas um patrimônio disponível para impulsionar a vida financeira dos filhos. Dois jovens que se casam aos 25 anos e ganham um apartamento de presente dos pais terão maiores chances de crescer financeiramente do que um casal na mesma faixa etária que precise morar de aluguel.

Eu Não Quero Desanimar Você

O meu objetivo com esse texto não é desanimar ninguém. Pelo contrário. Quero dialogar com aqueles que se veem sufocados, sentindo que sua recompensa não está sendo proporcional aos esforços que estão fazendo, ouvindo os que estão no palco dizendo que qualquer um que se esforce chega lá, enquanto a pessoa olha para si e se pergunta: o que eu estou fazendo de errado, já que me esforço tanto e não chego lá?

É para essas pessoas que quero falar, especialmente. Porque quero que elas se sintam plenas por saberem que estão fazendo o melhor que podem fazer, dentro do cenário em que foram colocadas e que, mesmo que não saia como o seu coração desejou, já valeu a pena rodar o filme da vida com o melhor personagem que ela pôde se tornar.

Desejo a você excelentes cenas dos próximos episódios do filme da sua vida.

Conheça o Livro






segunda-feira, 31 de agosto de 2026

A Corrida Presidencial de 2026 e o Termômetro do Mercado

Letionare

Inteligência de Mercado & Política

A Corrida Presidencial de 2026 e o Termômetro do Mercado

A antecipação do cenário eleitoral para a presidência da República em 2026 já impõe um clima de tensão tanto no debate público quanto na bolsa de valores brasileira. A disputa pela hegemonia política, especialmente nos espectros da direita, tem gerado embates diretos entre novos postulantes e figuras consolidadas.

O Embate Político: Lula, Marçal e Santos

O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, segue como um dos focos centrais da disputa, liderando blocos de alianças e contando com vantagem de tempo no horário eleitoral. Enquanto isso, a oposição busca viabilizar nomes. Renan Santos, pré-candidato pelo partido Missão, tenta se estabelecer como uma alternativa à direita, disparando críticas diretas tanto a Lula quanto a Jair e Flávio Bolsonaro.

No entanto, o cenário ganhou complexidade com a entrada de Pablo Marçal na corrida. Santos classificou a candidatura de Marçal como "folclórica", sugerindo que o coach e empresário estaria atuando apenas para causar "bagunça" e beneficiar a campanha de Flávio Bolsonaro. Em retaliação, Marçal rebateu as críticas apelidando Santos de "Lula 2.0" e projetando que o adversário não alcançaria mais do que 1% dos votos. Nos bastidores, analistas avaliam que a pulverização e os ataques mútuos na direita podem acabar favorecendo os candidatos que já lideram as pesquisas, como o atual presidente.

O Impacto no Ibovespa: Incerteza e Volatilidade

Toda essa movimentação política reverbera imediatamente no mercado financeiro. A B3 tem registrado saídas expressivas de capital estrangeiro, com um déficit que chegou a R$ 18,7 bilhões em agosto de 2026. O Jornal de Brasília destaca que a principal preocupação dos investidores não é necessariamente o nome do candidato vencedor, mas sim a credibilidade do seu programa fiscal e a abordagem em relação à dívida pública.

Como ressalta Arthur Vieira de Moraes, professor da B3 Educação, eleições naturalmente formam um quadro de incertezas que leva os investidores a se movimentarem defensivamente. A indefinição sobre o futuro da economia alimenta expectativas de juros mais altos, pressionando negativamente a Bolsa e desvalorizando o real frente ao dólar. O período de maior oscilação dos ativos costuma se estender desde o início oficial das propagandas eleitorais até a definição do segundo turno.

Transforme a Incerteza em Estratégia

Em anos de sucessão presidencial, o sobe e desce da bolsa é inevitável. Mas enquanto a maioria dos investidores foge do risco, os mais preparados utilizam esses cenários para proteger seu patrimônio e multiplicar resultados. Descubra as técnicas práticas para navegar no caos.

Garantir o Livro: Use a Volatilidade para Lucrar
© 2026 Letionare Publishing. Todos os direitos reservados. As informações refletem os acontecimentos e o cenário político/econômico do período eleitoral.

Análise Macroeconômica - Letionare.org

Análise Macroeconômica - Letionare.org
Letionare.org • Cenário Econômico

Raio-X da Economia: Entendendo os Indicadores e Seus Impactos

Análise detalhada das projeções recentes de IPCA, PIB, Câmbio e Selic com analogias práticas.

O acompanhamento regular dos principais indicadores macroeconômicos é vital para investidores, empresários e cidadãos que desejam navegar com segurança pelas incertezas do mercado financeiro. Recentemente, observamos o comportamento de quatro pilares fundamentais da economia brasileira: IPCA, PIB, Câmbio e Taxa Selic.

Painel de Indicadores Recentes

Indicador Há 4 Semanas Há 1 Semana Hoje
IPCA (% a.a.) 5,03 5,02 5,01
PIB (var. %) 1,99 1,95 1,92
CÂMBIO (R$/US$) 5,20 5,20 5,20
SELIC (% a.a.) 13,75 13,75 13,75
Fonce: Boletim FOCUS do Banco Central

Os dados mostram uma trajetória sutil de desaceleração nas expectativas de inflação (IPCA recuando de 5,03% para 5,01%) e um ajuste modesto no crescimento econômico (PIB passando de 1,99% para 1,92%), enquanto câmbio (R$ 5,20) e juros básicos (13,75%) mantêm-se estagnados no horizonte recente.

Descomplicando a Economia: Entendendo por Meio de Analogias

Para tornar esses conceitos mais acessíveis, podemos enxergar a macroeconomia como o funcionamento de um grande automóvel ou de uma residência familiar. Veja como cada indicador se comporta nessa dinâmica:

1. IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) — O Termômetro da Febre

Imagine que a economia é uma pessoa e os preços são a sua temperatura corporal. O IPCA mede o ritmo em que o custo de vida sobe (a inflação). Uma taxa de 5,01% indica que a "febre" está moderada, mas ainda exige cautela. Se a inflação sobe muito, o poder de compra derrete, assim como uma febre alta consome as energias do corpo.

2. PIB (Produto Interno Bruto) — O Painel de Velocidade do Carro

O PIB mede o tamanho e o ritmo de crescimento de tudo o que o país produz. Pense nele como o velocímetro de um carro. Com uma projeção em torno de 1,92%, o veículo está em movimento constante, mas em uma velocidade moderada — sem correr o risco de derrapar por superaquecimento, mas também sem pisar fundo no acelerador.

3. Câmbio (R$/US$) — O Preço do Intercâmbio de Produtos

O Câmbio funciona como a taxa de conversão em uma casa de câmbio de aeroporto. Com a cotação travada em R$ 5,20, cada dólar comprado exige pouco mais de cinco reais. Para quem viaja ou importa insumos, o valor dita o custo de adquirir bens de fora; para quem exporta, define o quão atraentes nossos produtos são lá fora.

4. Taxa Selic — O Freio e o Acelerador da Cozinha Econômica

A Selic é a taxa básica de juros da economia, agindo como o termostato ou o freio de mão do Banco Central. Em patamares elevados como 13,75% ao ano, ela funciona como um forte incentivo para guardar dinheiro na renda fixa (fazendo o consumo desacelerar e controlando a inflação) e encarece o crédito para empresas e famílias.

Conclusão

Compreender esses indicadores deixa de ser um desafio técnico quando olhamos para suas funções práticas no dia a dia. Seja ajustando investimentos diante de uma Selic alta ou avaliando o impacto da inflação no orçamento doméstico, manter-se informado é a melhor estratégia para proteger e multiplicar o patrimônio. Acompanhe mais análises em Letionare.org.

© 2026 Letionare.org. Todos os direitos reservados. Conteúdo educacional sobre finanças e economia.

domingo, 30 de agosto de 2026

Panorama Econômico LETIONARE- 29 de agosto 2026

Panorama Econômico | Letionare.org Agosto de 2026

Alívio Inflacionário no Curto Prazo, Pressão Fiscal Estrutural e Realocação de Fluxo na B3

Uma síntese analítica dos principais dados apurados pelo Boletim Focus (BCB), IBGE/IPCA-15, FGV/IBRE (IGP-M), InfoMoney e Valor Econômico.

1. Radiografia dos Indicadores e Tendências de Mercado

O cenário macroeconômico doméstico encerra o mês exibindo uma dualidade marcante: de um lado, a leitura deflacionária transitória nos índices correntes de preços; de outro, a desancoragem persistente das expectativas de inflação de médio prazo, que mantém a curva de juros em patamares restritivos.

Inflação Corrente (IBGE/FGV)
-0,40% / -0,22%

IPCA-15 e IGP-M em deflação, puxados por alívio tarifário e preços no atacado.

Expectativa Focus 2026 (BCB)
IPCA 5,02% | Selic 13,75%

Projeção de inflação acima do teto da meta e PIB revisado para 1,95%.

Fluxo de Capitais (B3)
57,5% de Estrangeiros

Menor fatia do capital externo no ano, refletindo aversão global e juros locais.

  • Dinâmica de Preços: A queda pontual no IPCA-15 (-0,40%) e no IGP-M (-0,22%) decorre fundamentalmente de medidas transitórias (como o Bônus de Itaipu nas faturas elétricas) e retração no IPA (Preços ao Produtor), sem configurar desinflação generalizada no setor de serviços.
  • Política Monetária: O Banco Central mantém sinalização de corte gradual de 25 bps na Selic para 13,75%, buscando conter a atividade e reancorar os vértices longos da inflação projetada para 2027 (4,25%).
  • Mercado Acionário e Dólar: A saída de capital externo na B3 pressiona o Ibovespa, enquanto a taxa de câmbio se consolida próxima a R$ 5,20, influenciada pelo diferencial de juros reais e incertezas geopolíticas globais.

💡 Impactos no seu dia a dia

1. Alívio momentâneo nas contas de consumo: Os créditos e revisões tarifárias na energia elétrica reduzem diretamente os custos residenciais imediatos, proporcionando uma folga no orçamento doméstico deste mês.

2. Crédito pessoal e financiamentos caros: Com a Selic mantida em patamares elevados (13,75% a 14% a.a.), os juros do rotativo do cartão, cheque especial e crédito imobiliário seguem proibitivos. O momento exige cautela redobrada na contratação de novas dívidas.

3. Reajustes de contratos de aluguel: A desaceleração acumulada do IGP-M (2,16% em 12 meses) ameniza os reajustes anuais de locação vinculados ao índice da FGV, evitando os saltos bruscos observados em ciclos anteriores.

📈 Impactos nos investimentos

1. Renda Fixa Pós-Fixada e IPCA+: Os títulos atrelados ao CDI mantêm rentabilidade real expressiva (carregamento superior a 1% ao mês líquido). Para a parcela atrelada à inflação (NTN-B / Tesouro IPCA+), o prêmio real de juro longo segue atrativo para estratégias de carrego até o vencimento.

2. Renda Variável e Rotação Setorial: A redução da participação estrangeira (57,5%) reduz a liquidez das blue chips. Setores com alta previsibilidade de fluxo de caixa, baixo endividamento e poder de precificação (utilities, saneamento e commodities com balanço sólido) tendem a apresentar maior resiliência defensiva.

3. Marcação a Mercado e Prefixados: Títulos prefixados de médio e longo prazo continuam exigindo rigor técnico na gestão de risco, dado que eventuais repiques nas projeções inflacionárias podem elevar a inclinação da curva de juros (yield curve), gerando volatilidade na marcação a mercado.

Publicação técnica e educativa — Letionare.org. O conteúdo possui finalidade didática e não representa recomendação direta de compra ou venda de ativos.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

O Sangramento da Bolsa: Entenda a Queda de 11 de Agosto

O Sangramento da Bolsa: Entenda a Queda de 11 de Agosto

Análise de Mercado • 11 de Agosto

O Mar de Sangue na B3: O que Derrubou a Bolsa e Como Você Pode Lucrar com Isso

O dia 11 de agosto ficará marcado nas telas dos home brokers como um dia de pânico. O investidor que abriu sua carteira hoje deparou-se com um mar vermelho profundo e impiedoso. Não foi uma correção natural; foi um verdadeiro sangramento de posições. Mas por trás da irracionalidade inicial e do desespero do mercado, existe uma teia complexa de fatores econômicos e, mais importante, oportunidades raras para quem sabe navegar no caos.

A Tempestade Perfeita: O que Causou o Pânico?

A queda vertiginosa de hoje não é fruto do acaso, mas sim do alinhamento trágico de seis fatores que culminaram na fuga em massa dos investidores:

  • A Postura Implacável do Copom: O Banco Central brasileiro sinalizou que a manutenção (ou elevação) da Selic não é temporária. Juros altos encarecem o crédito para as empresas e tornam a renda fixa extremamente atrativa, drenando o dinheiro que iria para as ações.
  • A Pressão do FED (Banco Central dos EUA): Com o FED mantendo os juros em patamares elevados porque a economia americana tem se mostrado resiliente e aquecida por mais tempo que o esperado, ocorre um 'efeito aspirador'. O capital global migra para o porto seguro dos títulos americanos (Treasuries), esvaziando mercados emergentes.
  • O Rebaixamento do JP Morgan: O relatório do gigante bancário norte-americano cortando a recomendação de peso do Brasil na América Latina foi o gatilho. Quando um formador de mercado como o JP Morgan fala, os grandes fundos operam, gerando vendas em bloco gigantescas.
  • A Fuga do Capital Estrangeiro: O investidor "gringo", responsável por mais da metade do volume da nossa bolsa, pisou no freio. Sem eles, não há liquidez suficiente para sustentar os preços atuais.
  • O Custo do Risco Brasil: A incerteza fiscal, o medo de descontrole da dívida pública e a falta de clareza sobre o cumprimento das metas fiscais cobraram a conta do prêmio de risco.
  • O Eterno Risco Político: Ruídos e embates em Brasília trazem insegurança jurídica. O mercado odeia surpresas, e a instabilidade política afugenta quem precisa de previsibilidade para investir bilhões.

A Luz no Fim do Túnel: O Longo Prazo

Se você é um investidor de longo prazo, respire fundo. A bolsa de valores funciona como um pêndulo: ela exagera tanto no otimismo quanto no pessimismo. Quando o pânico se instala, excelentes empresas — com caixas fortes, vantagens competitivas e lucros recorrentes — passam a ser negociadas a "preço de banana".

O famoso valuation de múltiplas ações despencou para patamares irracionais. Para quem tem horizonte de investimento de 5, 10 ou 20 anos, crises agudas representam a melhor janela de oportunidade para acumular patrimônio. O segredo é ignorar o barulho de curto prazo e focar nos fundamentos das empresas.

A Oportunidade Imediata: Lucrando com a Queda

Muitos investidores iniciantes acreditam que só é possível ganhar dinheiro na bolsa quando os preços sobem. Isso é um mito. O mercado financeiro oferece ferramentas poderosas para você lucrar exatamente em dias sangrentos como o 11 de agosto.

Trata-se da posição Short (Venda a Descoberto). De forma didática, funciona assim: você aluga as ações de alguém que as possui para longo prazo; vende essas ações no mercado hoje por um preço alto; aguarda a ação cair devido ao pânico e a recompra por um preço mais baixo. Você devolve a ação para o dono original e embolsa a diferença.

Em dias de alta volatilidade, os prêmios das opções de venda (Put) também disparam, criando cenários onde a matemática e a probabilidade jogam a favor de quem entende o mecanismo do mercado.

Domine o Caos e Proteja seu Patrimônio

Para operar vendido ou entender como a volatilidade de dias como hoje pode ser a sua maior aliada, não basta intuição; é preciso dominar a matemática do mercado. Não seja refém das quedas.

Conheça o livro: "Use a Volatilidade para Lucrar"

Probabilidade e estatística aplicadas à especulação no mercado de ações.

sábado, 8 de agosto de 2026

Como é ser professor no Brasil

Existem muitas especulações sobre ser professor no Brasil. Um país cujos governantes vivem dizendo priorizar a educação, mas será que não estão conduzindo-na a passos largos para o abismo?

Aprovações automáticas, processos seletivos duvidosos, egressos sem nenhuma habilidade desenvolvida e salários baixos: tudo isso não seria uma mistura de causa e consequência para a desmotivação e o desprestígio de uma categoria que agoniza lentamente?

Pesquisas indicam que o abandono dos cursos de licenciatura bate recordes ano após ano. Isso não deixaria claro que o esvaziamento da profissão não está mais ocorrendo apenas depois de iniciada a carreira, como aconteceu com tantos profissionais? Ele não ocorreria antes mesmo da entrada no curso, considerando que a maioria esmagadora não vê uma licenciatura como primeira escolha e, em um segundo momento, ao longo do curso de licenciatura, quando a pessoa se dá conta de que aquilo tudo talvez não vá valer a pena?

Sim, porque, quando falamos de curso universitário, estamos falando de um investimento no qual o principal recurso de um ser humano, que é seu tempo, é sugado por disciplinas, atividades complementares, estágios obrigatórios nos quais os próprios estudantes confessam não ver sentido e, agora, pelas atividades de extensão.

O tempo é o recurso mais valioso de uma pessoa. Então, não seria um dos maiores males que se pode fazer a um jovem fazê-lo desperdiçar esse recurso em algo que não tem retorno ou cujo retorno é extremamente baixo quando comparado ao investimento dos seus melhores anos — justamente aqueles em que, em geral, a pessoa tem mais energia, mais ousadia e mais disposição para enfrentar adversidades?

E as opções são muitas, apesar de a maioria nem perceber.

Se o plano for fazer concurso público para professor, será que não existem muitos cargos técnicos que valeriam mais a pena do que um cargo de professor, tanto em termos remuneratórios quanto em termos de condições de trabalho?

Compare a qualidade de vida de um técnico do Judiciário com a de um professor de ensino médio em uma escola pública, seja ela estadual ou federal. Compare também as remunerações. O resultado não mostraria uma possível vantagem do técnico judiciário nos dois itens considerados?

E ainda há cargos técnicos que exigem apenas o nível médio, o que pode dar uma vantagem de, no mínimo, quatro anos na partida da formação patrimonial de um jovem. Ou seja, começar a receber pagamentos mais cedo não ajudaria a atingir a estabilidade financeira mais cedo? E, por começar a receber mais cedo, também não seria provável que tenha menos responsabilidades do que o licenciado que já terá mais de 22 anos ao concluir o curso?

O professor, para receber um salário entre quatro mil e sete mil reais, dependendo de diversos fatores, como o estado da federação em que exercerá a docência, precisa passar pelos quatro ou cinco anos de uma licenciatura e aguardar um concurso com vagas para a sua área. Será que essa relação entre tempo de formação, remuneração e condições de trabalho é realmente vantajosa?

Se fossem somente os salários baixos e a falta de recursos adequados que desafiassem a vida de professor, eu nem escreveria este artigo e você também não veria tantas notícias envolvendo professores. Mas, além disso, não deveríamos considerar também a violência contra os professores, tanto por parte de alunos quanto por parte de pais e até mesmo de outros elementos de uma comunidade?

Não será difícil encontrar relatos de professores que foram vítimas de lesão corporal, de assédio moral, de ameaça e de outras formas de violência. No caso das professoras, será que elas não podem sofrer ainda mais em um país no qual ainda existem comportamentos machistas, sexistas e misóginos?

O número de denúncias feitas por professoras contra assédio sexual, por exemplo, estaria realmente próximo de mostrar a realidade? Será que a maioria das vítimas faz uma denúncia? E, quando se trata de assédio sexual vindo de um superior, como aqueles coordenadores ou diretores que se acham donos de suas subordinadas, será que o medo de perseguição não seria um dos motivos para o silêncio?

E as outras professoras? Será que algumas não deixam de fazer a denúncia por vergonha? Outras, por medo da reação de seus maridos? E quantas tentam simplesmente se esquivar das investidas de superiores, colegas e até de alunos, em alguns casos?

Eu sei que, nesse cenário noctífero, há pessoas que realmente se inspiram em professores específicos e decidem se tornar professores. Mas será que não há tantos outros que apenas viram uma profissão que lhes estava ao alcance, na falta de outra coisa melhor? E não há ainda tantos outros que, mesmo com a expectativa de baixos salários, veem nesses baixos salários uma oportunidade menos pior do que as outras que lhes são possíveis?

Aos primeiros, desejo boa sorte. Quanto aos últimos, lamento pela sua falta de opção.

Eu comecei nessa profissão de maneira informal, aos dezesseis anos, em cursos de microinformática para funcionários de algumas empresas. Depois fiz uma licenciatura, seguida de um mestrado, depois um doutorado e, por fim, um pós-doutorado. Ao longo desses anos, lecionei quase que exclusivamente no ensino superior, em uma grande universidade privada e, como substituto, em duas universidades públicas.

As condições de trabalho na universidade privada em que trabalhei foram as melhores que tive em toda a minha vida docente, e acredito que eu nunca deveria ter saído de lá. Também não posso reclamar do salário, até porque essa universidade me pagou uma bolsa para que eu obtivesse o grau de doutor, o que hoje é responsável por mais de 50% da minha atual remuneração.

Eu não vivi as dores da maioria dos professores e das professoras, mas acompanhei de perto professores e professoras do ensino fundamental e médio, convivi com eles e sei de muita coisa que não aparece na grande mídia.

Sabendo do que eu sei, eu gostaria de dizer palavras de incentivo para aspirantes a professor ou mesmo aos iniciantes. Infelizmente, não sou desonesto e direi que, se essas pessoas puderem encontrar uma atividade que lhes dê respeito, segurança, boas condições de trabalho e um salário digno, será que não deveriam considerar seriamente a possibilidade de abandonar o barco e seguir suas vidas?

Afinal, alguém é obrigado a salvar alguma coisa? É obrigado a salvar alguém? E, especialmente, é obrigado a salvar uma educação que, para muitos, parece afundar rapidamente, dia após dia?




segunda-feira, 13 de julho de 2026

Por que Grandes Empreendedores Não Aparecem no Topo do Ranking da Receita Federal?

Por que Grandes Empreendedores Não Aparecem no Topo do Ranking da Receita Federal?

Olá! É sempre um prestígio ter a sua visita.

Nos últimos meses, diversos vídeos nas redes sociais passaram a compartilhar um ranking da Receita Federal mostrando as profissões com maior média de rendimentos totais declarados. A lista costuma trazer titulares de cartório, membros do Poder Judiciário, membros do Ministério Público, diplomatas, advogados públicos, atletas profissionais e servidores de carreira do Banco Central.

A conclusão apresentada nesses vídeos é quase sempre a mesma:

"Empreender não vale a pena no Brasil. O Estado recompensa seus próprios servidores enquanto quem produz riqueza fica para trás."

Embora essa afirmação desperte emoções e gere muitas visualizações, ela parte de uma interpretação incompleta dos dados. O ranking da Receita Federal mede uma coisa muito específica, enquanto o patrimônio e a riqueza dos grandes empreendedores seguem uma lógica completamente diferente.


O que o ranking realmente mede?

O ponto mais importante é compreender que a Receita Federal divulga a média dos rendimentos declarados na pessoa física (CPF).

Isso significa que o levantamento considera aquilo que efetivamente entrou como rendimento do contribuinte:

  • salários;
  • pró-labore;
  • aposentadorias;
  • aluguéis;
  • lucros distribuídos;
  • outros rendimentos declarados.

Em outras palavras, o ranking não mede riqueza, nem o valor das empresas controladas por um empreendedor.


Outro detalhe importante: média não é riqueza

Muitas publicações nas redes sociais ignoram outro aspecto estatístico importante: o ranking da Receita Federal apresenta a média dos rendimentos declarados por ocupação, e não uma lista das pessoas mais ricas do Brasil.

Essa diferença muda completamente a interpretação dos números.

Algumas carreiras possuem um número relativamente pequeno de profissionais, ingressam por concursos altamente seletivos e apresentam remuneração bastante homogênea. Quando praticamente todos os integrantes de uma categoria recebem salários elevados, a média naturalmente também será elevada.

Já o grupo dos empreendedores é extremamente heterogêneo.

  • Microempreendedores Individuais (MEIs);
  • pequenos comerciantes;
  • profissionais liberais com empresa própria;
  • donos de pequenas indústrias;
  • startups;
  • empresas familiares;
  • grandes grupos empresariais.

Misturar todos esses perfis em uma única categoria reduz significativamente a média observada, pois milhões de pequenos negócios convivem estatisticamente com um número muito menor de grandes empresários.

Exemplo simples

Imagine uma profissão composta por apenas 1.000 pessoas, todas recebendo cerca de R$ 1 milhão por ano. Sua média será próxima de R$ 1 milhão.

Agora imagine outra categoria formada por 15 milhões de empreendedores. A maioria administra pequenos negócios, enquanto apenas uma fração controla empresas avaliadas em centenas de milhões de reais. Embora existam empresários extremamente ricos, a média dessa categoria será muito menor, pois reflete toda a diversidade do empreendedorismo brasileiro.

Em Estatística, esse é um exemplo clássico de como a média pode não representar adequadamente uma população muito heterogênea. Para compreender melhor a distribuição da renda, seria necessário observar também medidas como a mediana, os percentis e a dispersão dos rendimentos.


Empresário rico não significa pessoa física rica

Existe uma diferença fundamental entre patrimônio empresarial e patrimônio pessoal.

Um médico servidor público normalmente recebe praticamente toda sua renda diretamente no CPF.

Já um empreendedor bem-sucedido costuma organizar seus ativos de forma completamente diferente.

Imagine duas pessoas.

Servidor Público

Salário anual: R$ 1,8 milhão.
Patrimônio pessoal: R$ 12 milhões.

Toda essa renda aparece diretamente na declaração da pessoa física.
Empreendedor

Empresa faturando R$ 600 milhões por ano.
Valor estimado da empresa: R$ 400 milhões.
Pró-labore: R$ 40 mil por mês.
Lucros parcialmente reinvestidos.

Na declaração do empresário, pode aparecer uma renda anual muito inferior à riqueza econômica que ele controla.

O ranking captura apenas aquilo que entrou na pessoa física, e não o valor econômico produzido pela empresa.


Onde está a riqueza do empreendedor?

Em empresas bem estruturadas, praticamente todo o patrimônio produtivo pertence ao CNPJ.

  • imóveis comerciais;
  • galpões;
  • máquinas;
  • frota;
  • estoques;
  • marcas;
  • patentes;
  • caixa da empresa;
  • investimentos corporativos.

Além disso, a participação societária costuma permanecer registrada na declaração pelo custo de aquisição, seguindo as regras fiscais aplicáveis, e não necessariamente pelo valor de mercado que aquela empresa alcançou ao longo dos anos.

É justamente por isso que muitos empresários parecem possuir um patrimônio pessoal surpreendentemente pequeno quando comparado ao tamanho de seus negócios.


Eficiência tributária não significa esconder patrimônio

Outro ponto frequentemente ignorado é a chamada eficiência tributária.

Um empreendedor experiente normalmente evita retirar da empresa mais recursos do que realmente necessita.

Em vez disso, prefere:

  • reinvestir os lucros;
  • expandir operações;
  • comprar novos equipamentos;
  • abrir filiais;
  • fortalecer o caixa da empresa.

Essa estratégia reduz a necessidade de financiamentos, aumenta a capacidade de crescimento e preserva capital produtivo.

Trata-se de uma prática legítima de planejamento financeiro e tributário, prevista na legislação, e bastante diferente de ocultação de patrimônio ou evasão fiscal.


O empreendedor compra riqueza ou produz riqueza?

Existe ainda uma diferença conceitual importante.

Muitas pessoas medem sucesso pela quantidade de bens registrados em seu nome:

  • mansões;
  • carros;
  • lanchas;
  • investimentos pessoais.

O empreendedor normalmente pensa diferente.

Cada real retirado da empresa deixa de financiar um investimento que pode gerar ainda mais riqueza no futuro.

Essa lógica faz com que muitos empresários tenham um padrão de vida confortável, mas mantenham a maior parte do capital trabalhando dentro da empresa.


Isso significa que não existam distorções?

Não.

O Brasil possui desafios relevantes relacionados à carga tributária, à burocracia, ao custo de contratação, à complexidade regulatória e à insegurança jurídica. Esses fatores realmente impactam a competitividade e o ambiente de negócios.

Contudo, utilizar um ranking de rendimentos da pessoa física como prova de que "empreender não vale a pena" mistura conceitos distintos e pode levar a conclusões equivocadas.

O ranking mostra quem declarou mais renda no CPF. Ele não revela quem controla empresas bilionárias, quem possui ativos produtivos de grande valor ou quem reinveste continuamente no crescimento de seus negócios.


A verdadeira comparação

Servidor de alta renda Grande empreendedor
Recebe quase toda a renda diretamente no CPF. Grande parte da riqueza permanece dentro da empresa.
O patrimônio costuma estar em nome da pessoa física. Os ativos produtivos pertencem ao CNPJ.
Renda elevada aparece integralmente na declaração. Parte relevante da riqueza não aparece como rendimento pessoal.
O ranking representa razoavelmente sua realidade econômica. O ranking captura apenas uma pequena parcela da riqueza que controla.

Conclusão

O ranking da Receita Federal é uma importante fotografia da distribuição dos rendimentos declarados pelas pessoas físicas, mas não foi criado para medir quem são os indivíduos economicamente mais ricos do país.

Grandes empreendedores frequentemente aparecem abaixo de diversas carreiras públicas porque sua riqueza está concentrada em empresas, ativos produtivos e participações societárias, e não necessariamente em rendimentos pessoais elevados declarados ano após ano.

Portanto, afirmar que "empreender não vale a pena" apenas com base nesse levantamento é uma simplificação excessiva. O debate sobre tributação, burocracia e ambiente de negócios merece atenção, mas precisa ser conduzido com dados interpretados corretamente e com a distinção entre renda pessoal, patrimônio e valor empresarial.

Aprendizado-chave

A Receita Federal mede rendimentos declarados pela pessoa física. Já a maior parte da riqueza dos grandes empreendedores costuma permanecer investida em empresas, ativos produtivos e participações societárias. Por isso, ausência no topo desse ranking não significa ausência de riqueza — significa, muitas vezes, uma forma diferente de organizar e expandir o patrimônio.

Desejo a você uma excelente aprendizagem! Bora pro texto!

Agora compartilhe o que você aprendeu porque
Aprender é a Nossa Melhor Habilidade!